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Tuesday, March 03, 2009

Frente fria

A minha vida estava em piloto automático sem que eu me apercebesse da gravidade desse facto ou lutasse para sair do meu marasmo... Quando a vida corre bem, há a tendência para se deixar ir na corrente e esperar que eventuais problemas se resolvam por si. E regra geral assim acontece, por isso, quando houve um corte substancial na minha semanada, não levei isso muito a sério, nem quando foi devido aos meus queridos tutores vitalícios terem acidentalmente esbarrado com duas malucas do Técnico de lingerie na cozinha a tomarem o pequeno almoço na descontra, nem tão pouco quando apareceram “bolinhas de plástico com pó” e “bocadinhos de lama” no chão do Volvo da mamã que eu usei quando o Carrera estava na oficina. Sinceramente não estava preocupado. Sabia que se eu me limitasse a acenar com a cabeça e fizesse uma cara de arrependimento genuíno, tudo se iria resolver. Em breve. E eventualmente resolveu-se. Passou como uma nuvem de verão. Poderá ter a ver com os Valiuns que tenho diluído no batido matinal de frutas exóticas da mamã ou talvez com o reforço de ervas especiais colocados estrategicamente por mim no bule de chá que o papá toma ao acordar. Talvez tenha sido isso, mas sinceramente acho que se deveu; a) reconhecimento da minha total e completa inocência, afinal havia uma explicação lógica para todos os acontecimentos prévios, b) falta de disponibilidade horária para se lidar com “problemas domésticos” e finalmente c) abundância de “metal precioso” que se traduz basicamente em psicólogos, tratamentos não-convencionais vários (acupuntura, yoga, aromaterapia, etc) e detectives privados a seguirem-me 24 horas, enfim...
Toda uma panóplia de merdas que têm como objectivo, A Ausência... Ausência de sentimentos mais ausência de responsabilidades é igual a ausência de chatices... Quando se tem dinheiro paga-se para se poder viver como quando não se tinha nada...
Mas isso são problemazinhos sem significado, “coisas” colaterais e neste momento o importante é o blow, a pachanga e o status quo, não necessariamente por esta ordem, mas decididamente não se pode deixar nada de fora... O status quo vai demorar a chegar, talvez 3 ou 4 semanas e só depois das analises sanguíneas serem negativas como as minhas notas a Matemática... Bem, isso que se foda, neste mundo tudo está á venda, tudo tem preço e sangue, foda-se, sangue não pode ser assim tão caro... Afinal são só uns centilitros de polpa de tomate A negativo... Quanto é que isso pode custar? Peanuts! Agora o pozinho tem de ser para ontem. Ir ao Casal é ponto assente que não vai acontecer. Porra, tou capaz de desfainar açúcar em pó... Dirijo-me a pé ao Heath Club cá da zona a ver se me passa a mosca, vestindo uma sweat azul escura da Gap com capucho, uns calções brancos largos All-Star e uns Nike cinzentos com riscas azuis e pelo caminho ligo ao primo;
– Como é que é meu cabrão? - digo numa voz grave.
– Quem fala? - Responde o Kanina.
– Sou eu caralho, olha lá, arranjas ai um vicks vapo spray ou quê? – pergunto, indo directo ao business.
– Olha, olha, quem é ele... Tão maluco? Já chegaste caralho? A tua mãe disse–me que não sei quê, que ias tirar um curso pá Xuixa!
– Ya, eu depois conto-te a cena, mas e as minhas dores?
– Epá, tá-se mal mano... Outras cenas ainda se arranja, agora isso tá fatela!
– Ok primo, depois falamos, hasta! E desligo o telefone.
Foda-se, foda-se, foda-se mais ó caralho... Mas faz sentido. Vamos ás compras ao mesmo sitio e realmente lá tá seco como o cu de um cacto! Porra, tenho que foder a cabeça ao cota a ver se abre uma dependência na Bolívia ou na Colômbia ou o caralho... Ligo ao Lucy;
– Como é que é caralho? - Rosno, todo agarrado dos maxilares.
– Tãoooo meu puto? Já tens ordem de soltura? – pergunta, ciente da minha precária situação.
– Pois é, pois é e o caralho e como é que estamos de saúde? – Pergunto, sem paciência para conversa da treta.
– Epá mano, tou mal pá. Xi, mas tão mal! Sério mesmo. Foda-se, apareceu ai uma frente fria, xiiiii... Apanhou-me todo. E eu deixei...
– Aleluia caralho, olha lá, vem cá ter atão, hã? – pergunto a salivar. Oiço riso maléficos. Não é á toa a alcunha. Vou pó inferno, ai medooo!
– Hummmm, então o maninho quer festa... Digo-te já que não sei se tás preparado para esta tempestade... – avisa.
Penso, eh lá, tourada nesta altura do campeonato... Cornetas, por favor, que vai-se dar o fandango...
- Olha lá ó maningue nice, vens cá que eu é que sei como é, orait? – Afirmo e pergunto simultaneamente.
- Pá não é que eu não coiso, mas segura lá a onda assim umas duas horas que o pai tá bizzi, né? Ou se quiseres aparece no galinheiro...
- Hummm galinheiro não, atão vá, duas horas foda-se! Também tenho cenas pa fazer aqui...
- Atão tá biju, inté! E desliga o telefone.
Fo-da-se caralho DUAS PUTAS DE HORAS!!! Bem, faço os restantes 100 metros até chegar ao health club e escondo-me atrás de um som super maradissimo, trance com tambores africanos... Passo o cartão de sócio gold na óptica do PC da recepcionista e tou lá dentro... Epá e nem pensar em esquemas, hoje faço o ferro que quero! Aqueço 5 minutos fazendo alongamentos básicos e em seguida, um pouco de desenvolvimento de ombros na barra, uns bíceps na barra livre, um bench presszinho e vou indo na tranquilidade, fazendo apontamentos mentais em relação ao calçado masculino que transita por aqui. Uma cota dourada diz para o P.T. de serviço, Ó Ricoooo, eu preciso é aqui na barriguinha e no bumbum, tá a ver? E apalpa as áreas descritas, fazendo poses demasiado explicitas. Meto conversa;
- Tudo bem, Dona Bibinha? Pelo que vejo, tá sempre na mesma! De fazer inveja a muita menina de 18 anos, hã?
- Oh Joquinha, como está? Beijinho á tia, vá! – Diz ela e damos 2 beijos sem de facto tocarmos com os lábios nos respectivos rosto, mas compenso com uma mão bem assente na sua cintura roliça.
- Oh tia, então diga lá como foi o nascimento do Lourenço? Aposto que não foi pela patareca, hã...
- Hahaha, sempre o mesmo saliente... Correu muito bem, olhe, agora é só trabalhar o corpinho... E se isto não for a bem, lá terá que ir a mal... – lamenta ela, massajando o corpo nos sítios que julga pertinentes...
- Tolices minha querida, a menina transpira sensualidade por todo o lado. Olhe, se precisar de ajuda, não hesite em chamar por mim, tá a ouvir? Já lhe disse que fiz um workshop em Espermatologia? Ui, nem lhe conto os benefícios! São de mo-rrer! – explico numa cantilena infantil, enquanto ela olha-me como a menina do anúncio de natal olha para o Victor de Sousa quando este lhe diz, e depois vem o coelhinho...
- Ai que maroto... Bem, bem...
E distancia-se de mim acenando-me com uma mão mole e um olhar dengoso. Vidas duras, penso. Levar os putos á escola, spas, health clubs, manicures, pedicures, cabeleireiros, shopping centre, ir buscar os putos á escola... Não é fácil, não...
O tempo passa conforme as calorias são queimadas e dou por terminada a session quando me sinto totalmente esvaído. Tenho dificuldade em levar a garrafinha de Isostar á boca. É a deixa... Como tenho preguiça, opto por tomar um banho rápido aqui no gym. Ir a casa está completamente fora de questão... No duche, um gayzola de meia idade olha para mim e reparando que não tenho shampoo, diz;
- O menino, se quiser, pode usar o meu condicionador...
- Nã, não gosto de cheiros artificiais pá, comigo é tudo au naturél... Cheiro de macho, tás a ver? Parfum de Gorilá...
Ele franze a fronha. Eu digo-lhe, gostas pouco...
Depois do banho, vou ao Juice Bar e tomo um Smoothie de ananás/papaia para complementar a sessão de fitness. Já estou mais que pronto para a tempestade que se avizinha... Vou pó carro ouvir um som, enquanto espero. Ponho o CD dos Cranberries e o Zombie começa a arranhar-me o cérebro. Acendo um cigarro, sabe-me mal, mas insisto porque não tenho mais nada que fazer. Não é que precise do blow para viver, mas a vida sem coca é como uma imperial morna e sem gás... Sabe a Tepidez... Vislumbro no retrovisor o VW do Lucy e suspiro de alivio... Ele estaciona o bote ao lado do meu e aí vejo-lhe a cara... Sua do bigode. E está a mil! Medo...
- Atão puto? Diz.
- Foda-se tiago, atão o caralho, já entravas e representavas!
- Ina pá puto foda-se... Deixei a cena com o Tony, pá fodasse...
Ora então, sejam todos bem vindos ao teatrinho do vou-foder-o-juizo-ao-puto... Mantém a historinha por 2 minutos até eu dizer;
- Pois é pá, não faz mal, vamos antes apertar os tomates um ao outro e falar sobre os benefícios da polpa de manga como lubrificador anal, hã?
Ele ri como só uma pessoa com o estalo da branca ri e sai do carro dele com um saco de plástico miniatura do Continente. Traja calças de ganga azuis claras 501 da Levis, t-shirt branca e verde Airwalk e uns Adidas pretos com riscas brancas. Os óculos escuros Arnette ocultam-lhe os olhos e eu espero que não os tire da cara. Entra e dá-me o saquinho para a mão e assim de repente, calculo 50, 60 gramas de coca. Nem quero acreditar. Ando na batida e tal, mas esta quantidade de carregamento não é normal... Afinal a coisa é séria e penso, tou fodido... O saco volta a mudar de mãos e pergunto;
- Mas olha lá, roubaste o Escóbar ou quê?
- Xi puto, uma cena man... Um puto. Escola tás a ver. Maningue cenas. Alto negócio. Até me passei. Daqui bocado explico. Dez minutos.
Reparo no curto-circuto na cabeça do Lucy pela maneira como dispara as palavras, milhares de pensamentos assaltam-lhe a mente simultaneamente e ele não os consegue ordenar nos respectivos compartimentos. Uma coisa é tu dares uns times, outra é enfiares a cabeça no saco e chafurdares que nem um porco. Acredita que bate de maneira diferente. Ele tira os óculos e como eu temia, os seus olhos são buracos medonhos. Azuis e amarelos e gigantes. O esgar á lá Joker também está presente em grande estilo... Despeja um monte de produto para cima do meu CD do Martinho da Vila e começa a fazer as divisões. Para ele, o estilo é Código Morse, linhas grossas e curtas. Para mim, são auto-estradas de ponta a ponta do CD. Passa-me o CD e faz a pergunta, queres? Agarro no CD e estagno momentaneamente quando uma voz canta, to all the people doing lines, don’t do it, don’t do it... Arrepio-me. Mas sucumbo, oh, e de que maneira! Agarro no tubinho verde e sujo, faço uns exercícios de limpeza nasal e I’m gone in 6 seconds... Salvation, salvation is free... Pisco os olhos e repito a operação com a narina esquerda, depois outra vez com a direita e depois outra vez com a esquerda e sinto uma aceleração brutal na corrente sanguínea, tou todo desanuviado, tudo a funcionar a mil á hora, tudo fresco e com sentido... As nuvens negras foram finalmente dissipadas... Depois do Lucy limpar a parte dele, passo um Marlboro molhado por todo o CD e lambo os dedos e esfrego as gengivas… Ele agora põe ainda mais stuff em cima do CD da Mariah Carrey e tapando completamente a sua imagem de sereia nasty, diz, olha, esta aqui também gosta do mel, diz, isto agora é a sério…

Thursday, July 31, 2008

Numa Pele Alheia...

- Esse Diogo é aquele teu amigo preto, não é? – pergunta-me o Marco Paulo em resposta á minha resposta da pergunta dele de porquê não querer nunca mais meter substâncias alucinógenas na carola... Eu baloiço vagarosamente a cabeça, em sinal de concordância, indeciso porém, se a palavra ‘preto’ ter sido proferida em tom pejorativo ou apenas ser uma constatação de um facto. Parece-me a porta numero um... Mas num sentido lato e não como uma afronta directa ao indivíduo em questão, mais num estilo ‘não-gosto-de-pretos-mas- não-tenho-nada-contra-esse-gajo’, por isso caguei para os preconceitos do subconsciente deste cabrão... Nem me diz nada... É só mais um tipo que me conhece e sabe o meu nome... Eu só sei que ele tem dois amores e uma cabeleira bem estilosa... E por isso não me vou dar ao trabalho de lhe explicar que o Diogo teve uma ideia brilhante, quando, num belo dia, e sob forte influência de ácidos: entra na casa do vizinho no 10° andar e ao ser apanhado com a mão na massa, tenta fugir Homem Aranha style... Aparentemente não resultou...

Há duas Tuborgs atrás, quando ainda estava com uma pedra industrial monstra, não consegui fazer mais nada que não fosse rir-me á parva quando o Russo me relatava a ocorrência: Atão parece que o gajo se matou, ó caralho!!! Não sabias???
Eu não sabia era se me havia de rir da ideia do Fanã se ter suicidado ou se do facto de ter ido roubar a casa do vizinho... Ele continua: Ya, o gajo entrou lá e depois foi apanhado e amandou-se ó caralho!!!
Hahahahaha... Isso faz muito sentido...NOT! Possivelmente o que aconteceu foi que se tu juntares certos ingredientes na cabeça de um gajo, só pode dar merda, senão vejamos: cabeção cheinho de LSD e Branca ( o que lhe conferia superpoderes como a invencibilidade e capacidade de voo)? Check! Real necessidade de uns trocos? Más companhias? Ausência de um grilinho que lhe dissesse, olha lá ó palhaço, achas que faz sentido roubar o teu vizinho? Hum? Fazeres merda ao pé de casa? E ainda por cima a tripar? Check! Check! Check!

Mas nesta altura do campeonato eu estava com mais atenção á musica que passava no Straight-Up, um bar de rockabilies em Massamá Norte: We care a lot dos Faith no More... uma batida só batida pelo We will rock you dos Queen. Sem hipótese. Só um Alto Som consegue apagar o facto que os Queen tinham um vocalista acabadinho de sair de um clip dos Village People e os projecta para o Panteão de Deuses do Rock’n Roll. Um Som do tipo World Class. E a seguir vai passar o One dos Metallica, Even flow dos Pearl Jam, Black hole sun dos Soudgarden, Smells like teen spirit dos Nirvana, depois umas baladas de James, White Snake e U2 para depois endurecer novamente com Megadeth, Pantera e Rage Against The Machine. Repertório maningue nice, mas com uma moca diabólica de barts e duffys não caía lá muito bem... Mais a noticia do Fanã. Mais uns whiskies. E umas cervejas. Tudo junto sufocava-me, por isso resolvi apanhar um ar fresco... Talvez fumar uma... Levanto-me e saio. Amanhã vão me dizer que sai a cambalear e a dar chapadas nos costacios de bacanos que ainda não conhecia. Sento-me nuns degraus ao pé de um gajo que me parece uma espécie de vampiro anão tripalhoco. - Tás mesmo aí? – pergunto. – Trim, trim, as nuvens pastam... – responde. - Tu não existes mano, baza daqui caralho! – replico, esfregando a cara. Ele faz que não me ouve e vomita, fazendo pontaria para os meus nike cinzento-claros. – Epá atão daí um filtro! – digo, agora convencido da sua densidade. Outra figura aproxima-se, subindo as escadas e estanca a uns respeitosos 5 centímetros de mim. Só lhe vejo as pernas. São peludas. Do tipo urso pardo. Aparentemente estou a bloquear-lhe a passagem e sinto um contacto na minha perna e oiço palavras agressivas lançadas em direcção do vampiro anão do tipo: Posso passar faixavor? Digo-lhe: Tens ai mortalhas? Ou isso? Ele não responde. Ao meu lado está também um careca mexicano nu e completamente tatuado que me pisca o olho, sussurrando-me: Mi corazon... Mi querido... Ti quiero... ; mas ele não tem olhos... No seu lugar tem uns negros abafadores luzidios... Tento ignora-lo, mas instintivamente, informo: Quem está aqui na verdade, não sou eu... eu tou em Lourenço Marques a comer camarões tigre e a beber laurentinas e bem... Vocês sabem como é, agradecia que...
Aparece em cena o Russo, interropendo a minha divagação, e facilita um valente sopapo á figura com pernas peludas. Em seguida senta-se em cima do vampiro anão, tira-me o xito da mão e começa a fazer A Minha Ganza, cantarolando outra musica dos Faith no More – Di cheter on da men! No! Di cheter! No! No! Di cheter on da men! No! Di cheter... Bat idoseee! Ele fuma a Minha Ganza soprando o fumo directamente para a minha cara...Oiço risos... O meu cérebro comanda os meus lábios a articularem a frase ‘roda lá isso’ mas eles não obedecem... Então ele dá ordem á mão direita para alcançar o charro, mas ela diz que não lhe apetece. Sinto que estou num corpo que não me pertence. Os movimentos não fluem naturalmente... Sinto todo o meu Ser encoberto por uma camada de gordura com uma espessura de 20 centímetros... Como um esquimó que estranha o Anorak. O mexicano fala com o Russo amigavelmente e eu fico na expectativa que lhe esteja a relatar o meu pensamento... Oxalá... O Russo atira a beata para longe. Eu fico a olhar para ela a girar no pavimento e a ser atropelada por um fiat punto branco... Cabriolet... Depois vejo um gafanhoto gigante com uma pessoa na garoupa, reconhecendo-o imediatamente, mas sem saber de onde... Já sei! Ontem á noite numa rave. Na Ericeira, ya! É o Chiquinho... Ele apanha a beata, dá um bafo, olha para mim e acena a pata direita. Instintivamente retribuo o gesto, tentando sorrir, mas fracasso pateticamente... Queria falar com ele. Talvez até fumar uma com ele, qual cachimbo da paz, para me redimir dos maus tratos que infligi a centenas de irmãozinhos seus na infância...

Chorei. Os meus olhos choravam... Uma mão com a palma virada para cima surge no meu campo de visão, mas esta mão em particular, brilha... Tem 2 anéis em cada dedo e no seu centro vislumbro uns cristais amarelos que tremeluzem... Parecem grãos de açúcar mascavado, mas gigantescos... Como suponho serem doces, escolho O Maior e ponho-o na boca, mas é amargo e por isso engulo-o rapidamente. Não era um do-ceeeeeee...
aromanaabanaabananaeesganaaratazanaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
amicaelaflagelaamoelaeenfarpelaaberingelaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
ósenhordesfrutedochucrutediziaarutheeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee
Para tirar o gosto da boca, decido ir beber uma cerveja ao bar e levanto-me, mas a entrada do mesmo está barrada por dois gorilas vestidos á Dick Tracy que me perguntam algo... Eu ignoro-os, pensando que assim não me iriam comer. Está tudo enevoado, por isso tento chegar ao balcão do bar de olhos fechados, o que consigo, mas não facilmente. Peço uma cerveja, mas mudo de ideias quando ma trazem, pedindo antes um caixão á cova. A empregada diz que não sabe o que é isso, ao que respondo 1/3 de absinto, 1/3 de sumo de ananás e 1/3 de chantily no maior copo que tiver... Ela que ponha o que quiser no restante décimo. Surpreende-me, Vá... Passados 15 minutos a bebida aparece e apesar de já não me apetecer, bebo-a por consideração profissional. Fecho um olho, procurando caras familiares, mas só encontro vampiros, palhaços, anjos... o batmam e o zorro dançam ao som do Losing My Religion dos REM, um grupo de ciganitos saltita com os braços no ar e o Russo, apesar de ter uma faca espetada na cabeça, está encostado a uma coluna a falar na descontra com uma gaja bem boa... Olho com mais atenção e confirmo que a gaja é nota 10, mas tem um ar muito másculo... Dirijo-me a eles, brindo com o Russo a qualquer coisa e dou um apalpão na gaja. Tem um ganda grelo. Mas mesmo Grande. Ela dá-me um chapadão nos costacios e risse, dizendo: - Fodasse Lucy, tás todo fodido heim?
A voz da gaja assusta-me um bocado e recuo, tentando ampliar o rosto da babe com mais zoom... É mesmo feinha, mas tem força, a cabra... Deve gostar á bruta... Ela estende o braço peludo na minha direcção, segurando uma caixinha amarela... Hum... É um celular e por isso vou tentar trocar umas ideias com ele... Pergunto-lhe: A tua vida tem significado? Ele responde: Lucy,Lucy, coméquémeucabrãodocaralhotázaonde eeeeeeeee jghdughuerhurugheruhhheeuiw!!! Eu respondo: Não foi isso que perguntei, fodasse...

Cansado de tanto lufa-lufa á minha volta, sento-me um pouco a fumar um cigarro muito estranho.. É verde e não tem filtro. Sabe mal. Dirijo-me á casa de banho pronto a cuspir a qualquer instante.. Entro de repente no cubículo onde a pocahontas lambe o anûs do charlot e regurgito perante tal cenário... A minha Alma tenta escapar, enojada com os pedacinhos de cenoura e de ervilha e de batata envoltos num creme verde e pastoso que jorram da minha boca... Eu deixo-a ir, mas ela arrepende-se, afinal... Psicologia barata funciona, sem dúvida... Limpo a boca na manga do meu casaco e mijo. Quando saio, a pocahontas está a enrabar o charlot e estrangula-o com uma fita negra de um tecido rugoso. Eu tento passar despercebido e vou lavar as mãos. Lavo a cabeça também. O famoso mini-duche... No lavatório, a água está turva e as minhas mãos estão peganhentas de vermelho e de branco e de preto... Olho para o espelho e nele está um palhaço careca. Tem a cabeça completamente branca, enormes olhos negros e um sorriso vermelho sangue a rasgar-lhe a cara. Olho para trás. Não está ninguém. Levo as mãos em direcção ao espelho e vejo o palhaço a fazer o mesmo na minha direcção. - Quem és tu mano? – pergunto, sobressaltado.
- Sou o Joker. Venho de Gotham City. Viste o Batmam? Se apanho aquele cabrão, fodo-o todo caralho! – responde ele de olhos esbugalhados e com uma pronuncia americana muito forçada.
– Err.. Por acaso até vi, mas mano? Já levavas na peidola, orait? Essas cenas do Bem e do Mal, hã? Já chateia, caralho! – cuspo-lhe na cara e saio novamente em direcção das nuvens e das plumas e das rendas e das cabeleiras... Não consigo pensar em fazer outra coisa que não seja dirigir-me ao bar e pedir outro caixão á cova. A Barwoman dá-me um valente palmadão no ombro e pisca-me o olho para em seguida ir tratar do meu negócio. Outra gaja feia comó caralho, parece uma daquelas putas ranhosas que param nos cais de desembarque de mercadorias provenientes de outros continentes e que acabou de ser violentada por um grupo de polacos que não se vinham há mais de 3 meses, e, numa de judiação, vieram-se sincronizadamente para cima dela, cobrindo-a para toda a eternidade com uma película de meita de tonalidades amareladas. Quinze minutos depois traz-me a bebida e dá-me um cartão cheio de cruzinhas, o que me parece um acto de boa fé e por isso, aceito-o e agradeço profundamente. Cravo um cigarro a um troll e ele grunhe que não fuma. Então faço o mesmo pedido a uma coelha gigante mamalhuda que me cede amavelmente um ventil, roçando nos meus genitais, a cenoura que lhe pendia na boca... Deve ser uma cena de coelho, penso... Ela começa a jiboiar á minha volta num ritual que passado duas horas vim a saber que era de origem indiana, abanando o pompom do rabo na minha virilha como se fosse um espanador a puxar lustro a um castiçal murcho e indiferente. Sorri e diz para eu não me preocupar porque o Roger foi ao Casal comprar pó. Respondo que não estou preocupado e que já conheço muita gente... Os dentes dela assustam-me, imagino-a a trincar a minha salsicha com aquelas dentuças da maneira que o Bugs Bunny devora as suas cenouras... Não me parece... Vou acabar a minha bebida sentado num puff distante de todos, reparando na mudança de musica. Agora é mais tropical, mais caliente, mais samba, e tudo, mas tudo mesmo, é surreal: teias de aranha e caveiras e luzes bruxuleantes com o soundtrack do Carnaval do Rio??? Não me parece, não me convidem, não quero saber... Neste momento não quero saber de nada, não quero saber dos 3 porquinhos a dançarem com o lobo mau, não quero saber dos zulus de pele branca a beberem vodka com o lucky luke, não quero saber dos monges budistas a apalparem o capuchinho vermelho... Recuso-me a acreditar no que vejo. E principalmente sinto indiferença. E tédio. E ausência de fé... Deus não existe. Nem teve filhos. Já o Vi, mas recusei-me a Acreditar. Ele disse-me que não era a minha Hora. Disse-me para eu ir para o Escuro. Para o Espinhoso e Obrigatório Escuro... Eu respondi-lhe que se fosse foder e que me deixasse estar sossegado no quentinho com as minhas Quarenta Porcas. Ele sorriu. Simplesmente sorriu... E desde então passei a acreditar na Droga...

Wednesday, July 23, 2008

Barro na Parede...

Sinto-me a deslizar... Uma brisa gelada massaja-me o corpo nu e para onde olhe só vejo puzzles gigantes... Estou a voar... Olho para baixo e começo a descortinar formas geométricas estranhíssimas em tons de castanho, verde e cinzento... Estou a voar... A minha pele está enregelada e por isso tento subir, subir, subir... Sinto-me atraído pela luz e pelo calor e pelo silêncio e pelo vazio... Subo mais, mais ainda e está tudo calmo e silencioso e em paz e estou tão quente e tão protegido e tão amado... E de repente a harmonia estagna. Pára. Pára tudo. Oiço um barulho surdo, um trovão, um tremor de terra e sinto-me a esvair, algo me puxa, algo me suga e... Acordo? Acordo assustado, não sei onde estou, levanto-me está escuro estou atordoado baralhado acelerado e ai começa a dor... uma dor insuportável na cabeça, um mistura alternativa do ribombar de ferro com ferro e o som dos derradeiros segundos de um mosquito pré-histórico... Raciocino... Estou em casa e este barulho... Este barulho vem da janela, abro os estores, está lá alguém, não reconheço a figura porque tenho a visão baforada, está-se a rir, grita para mim: Então maluco? - Fodasse... é o filha da puta do Kanina, o Kid Karoxo em pessoa... Entra, digo... ou se calhar só pensei que disse e dirijo-me á entrada, carrego no botão do intercomunicador e entreabro a porta de casa. Vou á casa de banho e lavo primeiro a cara e depois meto a máquina zero dentro do lavatório, sentindo cada goticula a trazer-me de volta. E mijo. Já estou em estado de consciencialização, sei quem sou e porque estou todo fodido... Dóiem-me todas as articulações do corpo e todos os músculos e todos os nervos sem excepção... Saio da casa de banho e cumprimento o Kanina com um aceno de cabeça imperceptível ao comum mortal e ao sentar-me no sofá reparo que como no sonho, estou nu e tenho frio. – Então maluco? Estás todo fodido, não é? É o que dá meninos a armarem-se em homens, não é? – cantarola o cabrão...
Ponho as mãos na cabeça e começo-me a lembrar de acontecimentos recentes, álcool, cigarros, drogas várias, provo o paladar do dejá-vu no céu da boca e sinto-me enojado.
– Queres cuspir, não é? Hum? Isso é que ia bem agora, não é? Ficavas limpinho, não é? Meu cabrão do caralho...- diz ele, admirando o meu mal estar...
Detesto vomitar, é a coisa mais merdosa do mundo, tenho MEDO do grego, parece que vou morrer, é uma sensação de sufoco, nojo e desconhecido sempre que vomito...
– Atão imagina lá agora uma cervejinha bem fresquinha e tu a bebê-la toda de penalty, hã? Uiiii, ka bom que era agora, hã? – diz ele levando á boca um copo imaginário e esfregando a barriga de satisfação.
- Cala-te caralho, não tou bem fodasse! – digo eu reconhecendo a velha salivação a começar a actuar, mas tento-me controlar, sento-me direito no sofá e respiro fundo....
- Uiii, mas bom bom bom mesmo era agora um copinho cheio de baileys com pisang ambom e anis, tudo misturadinho com chantily, isso é que era do baril! – diz ele aproximando-se de mim, unindo o dedo indicador com o do fuckoff, fazendo-os estalar repetidas vezes em sinal de deleite...
– Epá ó Ricardo tá calado só 10 minutos caralho! Vai-me é buscar um balde faixavor – murmuro eu, em tom suplicante e pensando que ao utilizar o seu nome verdadeiro, ele perceberia a gravidade da situação.
- JÁ SEI! Memo memo bom era um copinho de leite acabadinho de sair da teta duma cabra, quentinho e cheio da natas e a cheirar a merda e tu a beberes tudo e as natas a escorrem-te da boca e do nariz...
Agora foi no alvo... a minha kryptonite, a merda do leite... fodasse! Primeiro sinto pequenas e quase imperceptíveis contracções no corpo quando ele diz ‘leite’ e depois heis que vem uma onda de nojo subindo pelo esófago e ai sai-me um vómito tão poderoso e repentino que só o canal bocal era estreito para tamanho tsunami... simultaneamente a isso, o grego perfura-me as narinas e fodasse, este é dos grossos memo...
– Ina kum caralhoooo!!! – grita o kanina. - Parece akela gaja dakele filme man!!! BUÁH, BUÁH, BUÁHHHHHHHH – incentiva o cabrão.
Respiro durante 3 segundos vacilantes para uma segunda de mão... Desta vez sai só pela boca mas tem a mesma duração... Respiro agora por mais tempo e tento segurar O Terceiro Grego... O terceiro é sempre inesperado e certinho ao mesmo tempo. Parece sempre que tá tudo controlado quando... Sai o peido mestre, um bolsar insignificante, só naquela como se o teu corpo quisesse confirmar que não tens mais nada de nocivo para expelir... Check? Check!
- Hã caralho, não tás melhor?- pergunta ele.
- Ya, tou melhor, tou, só preciso de me deitar aqui um bocadinho...
- Nã, Nã, vais masé tomar banho que eu limpo esta merda, vai lá! – diz ele...
No fundo é um gajo bacano, já teve o seu espectáculo e agora tá na hora de arrumar a tenda e bazar. Tomo um banho demorado e escaldante e no fim giro o manipulo até ficar na posição água-super-hiper-master-fria-comó-caralho só nakela do choque térmico. Brincadeiras... Visto-me e quando vamos a sair reparo que a sala está verdadeiramente limpa, sem saber que o que este cabrão fez foi tapar o grego com a ponta do tapete, e até penso em dizer alguma coisa em agradecimento, mas não o faço para não me arrepender.
- Preciso de comer alguma coisa!- informo ao capitão para que ele inclua na sua rota um estabelecimento respeitável para se ingerir algo sólido.
– Ya, já tinha combinado com o Chapas naquele café em frente ao shopping ‘sás? Nas arcadas ao pé da estacão? – questiona ele para ver se é do meu agrado a escolha do chefe.
Sei bem qual é e sei bem qual é a sua real intenção... Tem brazucas boas comó caralho a servir ás mesas... Que se foda, tem também uns jesuítas do demo que eu vou mamar memo á baby e como lubrificante vai ser um ice tea... Toda a gente sabe que a seguir ao grego, uma infusão artificial de folhas é o melhor que pode passar nas goelas dum gajo... Ele diz para irmos de carro mas eu tou com vontade de andar, preciso de respirar um pouco deste oxigénio ferrado e o café não é assim tão longe, digo: Dez minutos tamos lá caralho! Ele resmunga um pouco mas segue-me de perto e acende um cigarro e eu penso em seguir o exemplo, mas decido-me a fazê-lo depois de comer o tal do jesuíta. Não sei que horas são, o sol já vai bem alto e infelizmente não andei nos escutas por isso pergunto: kórasxão? Ele responde: horas de rebentar um cão, passando-me o que eu pensava ser um lucky strike. Fodasse agora não caralho, depois de comer fodasse! - Digo eu meio a rir com o descaramento do bicho... - Me-ni-no, me-ni-no... Aí os andamentos são fodidos, não é? Não te aguentas á bomboca? Ah pois é... só pah duros, não é? – diz ele, sugando com uma moral, que rebenta 1/3 do canhangulo, travando em seguida ruidosamente...Sssssssssssss.... Menino do caralho... - diz ele, segurando o fumo e esganiçando a voz. Expira. - Fodasse vai-te abrir o apetite, meu menino, anda lá, chucha lá aqui no biberão, Lucifer! – Insiste o cabrão... E eu instigado pelo meu Nome da Guerra e por estar farto de o ouvir lá dou uns tirinhos tímidos e volto-lhe a passar a sardinha. Ah bom tava a ver que tínhamos aqui meninos, hã? Mas vê lá, não fumes tanto que o Senhor Jesus castiga, hã? – goza o cabrão com o facto de eu quase não ter feito estragos no bacamarte...
– Cala-te e fuma lá essa merda, tamos a chegar caralho! Olha eu vou entrar, tásóbir? - digo eu esfomeado...
- Ya, ya, já vou meu menino, pede lá uma super pa mim que o pai já vai... Assim que entro, a banda começa a tocar outra sinfonia... BOLOS, BOLOS, BOLINHOS... Começo a cobiçá-los gulosamente, croissants, bolas de berlim, jesuítas, delicias, palmieres, pasteis de nata... Vou manter a minha opção inicial e sentando-me ao fundo do café, faço sinal á brazuca para que me venha atender... anda cá que eu não t’aleijo...
- Oi posso ájudá?- pergunta ela, a mascar uma pastilha verde-alface e limpando a mesa de maneira a que eu tenha uma boa vista das suas montanhas mamarias, vulgo monténéss... Ela ajeita o uniforme, alisando-o com as mãos e fica algo embaraçada quando me vê a contemplar os seus fartos seios. Disfarço o olhar, fingindo estar a olhar para o seu nome bordado na sua camisa branca de algodão. ‘Rejane’ em maiúsculas, mas não tenho a certeza...
- Sim Rejane olha lá, queria um ice tea de pêssego, um palmiere simples e um jesuíta... e uma superbock faixavor. Ela sorri e vai tratar do meu pedido, enquanto eu vislumbro o seu back-side... Cuequinha metida no rêgo á porca, tribal no fundo das costas, pulseira de ouro no tornozelo esquerdo e sapatinho aberto raso. Mistura de pechenga do cacém com tia de cascais. Nisto, entram os olhos esbugalhados do halfgremlin na cena, tentando ajustar o seu foco espelhado para me localizar e quando o faz, a sua cara empalidece e os seus lábios torcidos cospem: Né que tá a jola caralho, não pediste?
– Calma campeão, já tá a vir, olha. – digo, sinalizando com o olhar, o porta aviões tropical que transporta o nosso pedido.
– Aqui istá... – diz a grossa posicionando automaticamente a bejeca á frente do kanina.
– Brigado xuxu... olha lá... hã... Gostas de samba e isso? Salsa? E esse tipo de cenas? – pergunto eu atirando um barro monstruoso á parede a ver se cola.
– Oi? – ela finge que não entende para disfarçar o seu desconforto mais-que-evidente e para ganhar tempo para melhor avaliar a shituation... Eu repito. Bem devagar. Ela diz: Aí, é claro né! Como não! - Ao que eu respondo timidamente: Então havemos de ir aí a um bar logo á noite e tal, tem lá uma festa tropical tás a ver... tipo samba e isso, talvez musica africana também...
Os segundos que ela demora a articular uma resposta fazem-me sentir como se eu fosse um jogador do Real de Massamá a entrar em pleno Camp Nou num estado de sobrelotacão.
- Pódi até sê...- diz ela a sorrir, mas ao sair do café na posse do seu numero de telefone, não deixo de notar no sentido-aranha a actuar, que é interrompido bruscamente pelo kanina: Hã maluco? Aquilo comia-se bem não era?
– Ya... – respondo pouco convicto enquanto empurro a dupla porta á lá wildwest do salão de jogos da estacão, onde decerto se encontra o chapas, visto ser o seu local predilecto das manhãs perdidas...
- Epá mas hoje tinha aí um programa mais alternativo, tás a ver? Com o Chapas... E o Puto e o Russo também... e o Fana diz que aparece á noite e tudo... Em resposta, os meus olhos dizem-lhe que paxaxa é paxaxa e ele encolhe os ombros em concordância... Descobrimos o chapas na máquina mais viciante de todos os tempos: Super Pang (Dizer muito rápido e com sotaque francês) e aproximando-nos sorrateiramente. A três metros do chapas, o kanina começa a dar balanço ao braço direito e com a mão respectiva, dá-lhe um palmadão descomunal nos costacios, gritando: Tão maluco? Que ias ter com a malta e o caralho... O chapas depois de perder um bonequinho azul, tira os fones e olhando para o relógio dos transformers, diz: Eh-eh-eh pah, tava aqui no pang i-i-i-i então...
- FODASSE e chegas ao boss ao menos caralho! – grita ainda mais alto o kanina na brincadeira só para o deixar num nível de embaraço aceitável.
– Na-na-na-não tem boss caralho. Che-che-che-chego ao fim ás vezes... – diz ele todo cagão.
Olho em redor, reconhecendo algumas personagens... O dono desta merda tá lá no seu cubículo gradeado a contar trocos, uma figura vagamente conhecida joga no virtual soccer e fuma ao mesmo tempo e meia dúzia de putos estão de volta do sega rally... Nada de especial... Fico a olhar pákela merda das bolinhas enquanto o kanina vai á casa de banho e aproveito para checar o fone esquerdo do player 1... Ouço uma cena tipo martelos que costuma ser usada nos soundtracks de filmes manga... O cantor diz magic people, voodu people... Ok, muito robótico para mim de momento... O kanina volta da casa de banho, passando pela gaiola dos trocos, aos pulinhos e deslizando de joelhos uns bons metros antes de nos alcançar... o dono olha com aquela cara de dono e reminiscências do tempo em que ele ficava á entrada a pedir BI’s assaltam-me a mente... Nesses tempos as máquinas tinham outro sabor, eram Temperadas pela Proibição e pela Culpa e bem Embrulhadinhas no Molho Espesso e Inebriante da Novidade... Agora, passados alguns anos, essas mesmas máquinas tornaram-se pouco mais do que insípidas... É o tal do Fruto Proibido que tanto ouvimos falar e não compreendemos até ele se tornar Rotina... Ok, mas anyway, depois de eu dar 3 secos á Alemanha com a Arábia Saudita e o seu 3-4-3 para em seguida perder a final com o Brasil nos penalties, tentamos desgrudar o Chapas do Pang com a promessa de vários duelos lendários de Tekken na casa do Kanina, o que conseguimos a muito custo... Talvez outro aspecto preponderante á sua decisão tenha sido o aroma açucarado da Musga... Talvez.. Então, em total sintonia, descemos a ladeira da estacão de comboios que divide os Reinos da Nova Massamá e a Velha Barcarena e disparamos direitinhos ao Cubículo do Chulé, vulgo arrecadação do Kanina, resignados com o facto que hoje e só hoje, será como todos os outros dias...